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Quinta-feira, 28 de Julho de 2011

Contra o Despotismo e Liberdade: Bocage

Contra o Despotismo

 

SANHUDO, inexorável Despotismo

Monstro que em pranto, em sangue a fúria cevas,

Que em mil quadros horríficos te enlevas,

Obra da Iniquidade e do Ateísmo:

 

Assanhas o danado Fanatismo,

Por que te escore o trono onde te enlevas;

Por que o sol da Verdade envolva em trevas

E sepulte a Razão num denso abismo.

 

Da sagrada Virtude o colo pisas,

E aos satélites vis da prepotência

De crimes infernais o plano gizas,

 

Mas, apesar da bárbara insolência,

Reinas só no ext'rior, não tiranizas

Do livre coração a independência.

 

Liberdade

 

 LIBERDADE, onde estás ? Quem te demora ?

Quem faz que o teu influxo em nós não caia ?

Porque (triste de mim !) porque não raia

Já na esfera de Lísia a tua aurora ?

 

Da santa redenção é vinda a hora

A esta parte do mundo, que desmaia.

Oh ! Venha... Oh! Venha, e trémulo descaia

Despotismo feroz, que nos devora !

 

Eia! Acode ao mortal que, frio e mudo,

Oculta o pátrio amor, torce a vontade.

E em fingir, por temor, empenha estudo.

 

Movam nossos grilhões tua piedade;

Nosso númen tu és, e glória, e tudo,

Mãe do génio e prazer, oh Liberdade!

 

Bocage

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publicado por apólogo às 12:00

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Quarta-feira, 27 de Julho de 2011

A filosofia prestes a ceder aos golpes da adversidade, e outro: Bocage


A filosofia prestes a ceder aos golpes da adversidade

 

TENHO assaz conservado o rosto enxuto

Contra as iras do Fado omnipotente;

Assaz contigo, oh Sócrates, na mente

A dor neguei das queixas o tributo.

 

Sinto engelhar-se da constância o fruto,

Cai no meu coração nova semente;

Já me não vale um ânimo inocente;

Gritos da Natureza! Eu vos escuto.

 

Jazer mudo entre as garras da Amargura,

De alma estóica aspirar à vã grandeza,

Quando orgulho não for, será loucura.

 

No 'spírito maior sempre há fraqueza.

E, abafada no horror da desventura.

Cede a filosofia à Natureza.

 

Extrai da glória alheia o seu desdoiro

 

Eis da Virtude o templo rutilante

Sacerdote ancião, de rubra veste,

Compassa pelo cântico celeste,

Meneado turíbulo fumante,

 

Do pio aroma, do vapor fragrante

O giro salutar consome a peste

Do vício, que debalde encara, investe

Turba de heróis às aras circunstante.

 

No sólio majestoso a deusa, abrindo

Aos alunos fiéis almo tesoiro,

Dobra o preço a seus dons em dar, sorrindo.

 

E à porta que volteia em quícios de oiro,

A Inveja, prenhe de áspides, bramindo,

«Extrai da glória alheia o seu desdoiro»

 

Bocage

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publicado por apólogo às 11:45

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