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Terça-feira, 29 de Março de 2005

Francisco Martins Rodrigues - O papa da extrema esquerda





Este post é baseado na entrevista que Francisco Martins Rodrigues deu ao Jornal A Capital, publicada em 26 de Março de 2003, com este nome - esta entrevista foi feita Rogério Rodrigues e pedro Marques - e no artigo, no mesmo jornal, de Serafim Lobato, sobre a UDP. Visto assim , e para quem gosta destas coisas, ao fim destes anos todos, até parece de outro Mundo. Mas existe ( ou existiu, melhor dizendo !).


Entrou para Mud Juvenil em 1949. Várias vezes preso por períodos de dois ou três meses. Em Outubro de 1954 passa para a clandestinidade com a namorada ( Fernanda Alves ) com quem casa, a convite do Jaime Serra do PCP.


Funcionário do PCP em Lisboa , é preso em 1957 e condenado a três anos de prisão. Passa por Peniche onde conhece Álvaro Cunhal. Em Maio de 1961 foi membro suplente do Comité Central do PCP e em fins de 1961 passa a fazer parte da Comissão executiva do PCP, depois de uma onda de prisões de dirigentes do partido.

Em 1963 esteve na União Soviética, com o Álvaro Cunhal, de quem divergia, tomando partido dos chineses, contra a União Soviética. Daí foi para Paris, onde abandonou a organização do PCP.

Em Janeiro de 1964 cria em Paris, com outros, a Frente de Acção Popular e, depois, o Comité Marxista-Leninista. Em fins de 1965, já em Portugal, executa a tiros de pistola um militante do partido ( Mateus ) que passava informações para a PIDE, para ser um exemplo a outros infiltrados nas organizações clandestinas divulgando um comunicado em que é anunciada a execução de um informador da PIDE.

Em Janeiro de 1966 é preso. Julgado uns anos depois, foi condenado a 19 anos de prisão por crimes políticos e comuns. Foi libertado depois do 25 de Abril de 1974 ( a 27 de Abril ). Fundou e fez parte do PC(R) - inicialmente da direcção - e a UDP, frente eleitoral do PC(R).

Era considerado o ( um ) Ideólogo destes movimentos de estrema esquerda. Com divergências ideológicas desde 1976, saiu, expulso, do PC(R) e da UDP em 1983, por causa de diferenças em relação à situação na Albânia, da "questão Staline", e do "ambiente doentio" que se vivia.

Acha que não há, nem nunca houve, um país socialista no Mundo.

Não é Humanista, porque se considera revolucionário, e um revolucionário, diz ele, não pode ser Humanista.

Acha que os revolucionários, não elegem deputados !

Acha ainda que valeu a pena, e que não é um homem desiludido.

Aqui estão alguns extratos desta entrevista, a não perder:


«-Mas além da União Soviética, como era possível nos anos 80 ser maoísta?

-O maoísmo criticou, a meu ver com razão, as cedências que a União Soviética estava a fazer ao imperialismo para conseguir a coexistência pacífica. As críticas da China, inicialmente, acertavam em cheio naquilo que se estava a passar na União Soviética. Os comunistas que estavam alarmados com o rumo da União Soviética agarraram-se àquela tábua de salvação dum partido que não ia trair; mas o partido chinês era do mesmo molde do soviético. E a seguir o albanês. Apoiar o maoísmo nessa altura acho que foi correcto. Agora, julgarmos que estava ali uma corrente comunista coerente, ísso foi um erro que nos levou a perder mais uns anos até vermos que a China estava a fazer o mesmo caminho que os outros, nalguns aspectos até maís depressa.»

«-Se chega a essa conclusão, é caso para perguntar: toda esta luta valeu a pena?

-Valeu! A História não pode ser feita segundo as nossas vontades. O desenvolvimento do capitalismo cria tais conflitos que rebentam revoluções em países atrasados. Rebentaram na Rússia, na China, no Vietname, na Coreia, em Cuba... Mas esses países fizeram revoluções contra o imperialismo, contra o feudalismo, contra o atraso que lá havia, mas não tinham o mínimo de condições económicas e sociais para passarem ao socialismo. O facto de terem feito essas revoluções não foi tempo perdido para a História. Eram indispensáveis e tiveram reflexos até em todos nós. Quando hoje se fala do modelo social europeu..."»

«-De certa forma, levaram a humanizar o capitalismo...

-Forçaram o capitalismo a fazer concessões, com medo que se repetissem revoluções. No fim da guerra mundial, o prestígio da União Soviética era tal que os regimes do Ocidente tinham medo do que lhes podia acontecer se não fizessem concessões aos trabalhadores. E a Rússia e a China, se não tivessem tido revoluções, o que seria hoje deles?»

«-o Francisco Martins Rodrigues é um humanista?

-Essa palavra tem uma conotação dúbia porque é tomada no sentido de ser contra a violência revolucionária: se é humanista, não quer mal para ninguém. Não, um revolucionário tem que ser realista. Quando os conflitos de classe crescem, há terramotos, são as revoluções. E quando há violência tem que se tomar partido. Eu quero estar sempre incondicionalmente do lado da força que representa um avanço e não do lado da força que representa um retrocesso. Já sei que perco o direito a ser classificado de "humanista" mas isso não me aflige. O pior é, perante um grande choque de massas, pôr-se de parte ou pôr-se contra.»

«-o que pensa do Bloco de Esquerda ?

-O Bloco de Esquerda... é cor-de-rosa. É um novo partido do sistema, é uma esquerda no arco do Parlamento. Não é mais do que isso.

-É uma esquerda burguesa?

-Não sei se lhe chame pequeno-burguesa. É uma esquerda que está no campo das instituições e joga aí o seu jogo e que abdicou de um objectivo revolucionário.

-É uma esquerda reformista?

-Absolutamente reformista: tem ambições, quer ganhar força, mas dentro da lei. Se fossem revolucionários não ganhavam oito deputados. Uma voz revolucionária nestas eleições se calhar não ganhava nem um deputado. Ora, eles precisam de deputados e já começam a pensar na hipótese de sustentar um Governo. Esse caminho já foi visto muitas vezes e já se sabe onde é que vai dar. Começam todos .como bons rapazes e acabam em ministros.»


publicado por apólogo às 12:25

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